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PCT

Causas de PCT

Ainda não se compreende perfeitamente a maneira pela qual a deficiência da UROD se desenvolve no fígado. Na maior parte do tempo, este nível reduzido de atividade da UROD é, contudo, suficiente para realizar normalmente a síntese do heme. Entretanto, noutras vezes, sua atividade é insuficiente e resulta em síntese diminuída do heme e acumulação dos produtos iniciais da parte da via de biossíntese do heme que ainda funciona normalmente. Quando isto acontece, as porfirinas se acumulam no local da síntese, que é principalmente o fígado, sendo extravasadas para o sangue, de onde podem ser ou excretadas na urina ou depositadas em vários tecidos corporais. Quando estas porfirinas são depositadas na pele, podem absorver luz. Outras porfirinas (por exemplo, a clorofila, que é uma molécula semelhante ao heme, contendo magnésio) podem absorver a luz e armazenar energia na forma de carboidrato mas as porfirinas que se acumulam na PCT são incapazes de armazenar a energia da luz. Esta energia é liberada na pele em reações fotoquímicas que causam danos à pele. A exposição persistente à luz conduz, desta forma, a lesões cutâneas, com formação de bolhas e cicatrizes. A maioria dos fatores etiológicos conhecidos (listados abaixo) são adquiridos e, portanto, podem ser evitados ou tratados. Nem todos estes fatores estão presentes num paciente com PCT.

Aproximadamente 20% dos pacientes com PCT têm uma deficiência herdada (autossômica dominante) de UROD, dizendo-se terem uma PCT familiar (tipo II), e mais de um caso pode ocorrer na mesma família (tipo II). Ao nascimento, a UROD é aproximadamente 50% normal em todos os tecidos destes pacientes. Entretanto, um ou mais dos fatores causais adicionais, listados abaixo, influenciarão de forma importante o curso destes pacientes. A PCT de tipo II manifesta-se quando a atividade da enzima no fígado torna-se muito menor do que 50% do normal, devido a um ou mais destes fatores adicionais. Os pacientes com PCT familiar respondem aos mesmos tratamentos que aqueles que não têm uma deficiência herdada da enzima.

O Ferro tem um papel central como fator causal da PCT. O ferro do fígado encontra-se frequentemente aumentado na PCT e a remoção do ferro do organismo sempre conduz a uma remissão. A maioria dos pacientes com PCT não têm um grande excesso de ferro visto que a remoção de somente 5-6 pints (aproximadamente 2,5 l a 3 l) de sangue é necessária para o tratamento bem sucedido, na maioria dos casos. A dosagem de ferritina no soro é frequentemente usada para avaliar o grau de ferro em excesso. A ferritina encontra-se, geralmente, dentro de valores normais a moderadamente aumentados. Elevações marcadas de ferritina sugerem que o paciente, além da PCT, tem uma condição de sobrecarga de ferro chamada hemocromatose. Em virtude da sobrecarga de ferro contribuir para a PCT e de ser a hemocromatose uma das doenças genéticas mais comuns (ocorrendo em aproximadamente 1 entre 200 pessoas da população), não é surpreendente que alguns pacientes possam apresentar ambas as condições.

O Excesso de consumo de álcool é causa comum de PCT. Desconhece-se a forma pela qual o ferro e o álcool conduzem à deficiência de UROD no fígado, mas ambos podem gerar formas reativas e lesivas de oxigênio dentro das células hepáticas.

A Hepatite C é causa comum de PCT. Em algumas áreas onde esta infecção viral tem uma grande prevalência, especialmente no sul da Europa e em algumas partes do U.S.A., cerca de 80% dos pacientes com PCT estão infectados com este vírus. É ainda desconhecida a forma pela qual o vírus da hepatite C, em particular, contribui para o desenvolvimento da PCT. Outros vírus da hepatite raramente estão implicados.

Os Estrogênios são fatores adjuvantes, especialmente nas mulheres. A PCT desenvolve-se em algumas mulheres que fazem uso de contraceptivos orais contendo estrogênios e em mulheres mais velhas que usam estrogênios após a menopausa. Homens também têm desenvolvido PCT após tratamento com estrogênios (por exemplo, para o câncer de próstata). Outros tipos de hormônios não parecem ser causa relevante de PCT.

Outros fatores são importantes em alguns pacientes. Níveis elevados de ferro são conhecidos por inibir a atividade da UROD. Conseqüentemente, dietas anormalmente ricas em ferro ou suplementação dietética de ferro com comprimidos são contra-indicadas na PCT. Os barbitúricos e outros medicamentos que aumentam a síntese de porfirinas no fígado geralmente exacerbam a porfiria aguda intermitente, mas são menos importantes na PCT. O vírus da imunodeficiência humana (HIV), vírus que causa a AIDS, pode ser associado com a PCT, mas com muito menor frequência do que o da hepatite C. Produtos químicos industriais, tais como as dioxinas e o hexaclorobenzeno, têm sido, algumas vezes, implicados. As deficiências de vitamina C e de outros nutrientes podem também contribuir.

Quando a UROD se torna marcadamente deficiente no fígado, as porfirinas se acumulam e extravasam para o sangue. São então transportadas para outros tecidos, tais como a pele, e excretadas na urina e nas fezes. As porfirinas na pele absorvem a luz e liberam esta energia absorvida levando à geração de formas reativas de oxigênio que danificam a pele. Conseqüentemente, a exposição à luz conduz à fragilidade cutânea, formação de bolhas e cicatrizes.
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